domingo, 20 de novembro de 2011


POEMA MENTIRA

“Coitado do mentiroso
Mente hoje, mente sempre
Ainda que fale verdade todos dizem que mente”
Mente-se por piedade
O verdadeiro mentiroso
É aquele para quem não há realidade
Imagina-a ele próprio
Inventa a sua verdade
Será doente, não admite
Pode mentir por vaidade
Será carente de afirmação
Mente por ansiedade
Vive no seu mundo que deseja profundo
Sente necessidade de esconder a verdade
Mente, mente e mente
Mente, escondendo a idade
A mentira é um polvo que envolve com a perna longa
Quando sabe reunir mais mentirosos
A mentira se prolonga
No mundo dos maldosos
Dos que a sabem tecer
Para quem vive no mundo dos manhosos
A verdade não pode acontecer
Tenta proliferar
Porém, o mundo contrário
Sempre a procura obliterar
Que fazer?
Lutar a vida inteira!
A fazer a verdade prevalecer
Para que ela seja mesmo como o azeite
Fazer com que venha à tona, possa acontecer
Depois gritar bem alto:
- A verdade está agora a acontecer e a viver!...

Daniel Costa

POEMA - A Sociologia

Apaixonada pela psicologia que estuda o comportamento individual, encontrei no percurso escolar a sociologia uma das disciplinas que compõem o curso técnico de animação social. Embora assustada de início, criei uma paixão ainda maior do que pela psicologia, pois a sociologia tem o encanto de estudar e ajudar a adquirir um conjunto de conceitos e teorias que são indispensáveis para conhecer contextos sociais.
Apresento alguns poemas de minha autoria que manifestam o meu sentir e sentimento da sociologia sendo dessa maneira que acabo este trabalho transformando a conclusão em algo sentido com a aplicação de algumas metáforas.

CAMINHOS SOCIOLÓGICOS
A sociologia
É um mundo entreaberto
A, visão do concreto
O visto, para analisar
O coberto é encoberto
E pode até ser demagogia
O sociólogo define o certo
Do óbvio faz uma filtração
Vê o á lupa e depois o verificar
O final do estudo conclui a razão
que a razão final não vê de perto








Hipótese em investigação
Pode ser o outro, tu e até eu
Parte integrante da sociedade
Onde todos são o que são
Tendo, aquilo que ninguém deu
Substituindo lealdade
Por desmedida aspiração
O seu humano se corrompeu
E a triste verdade
Faz da vida “um mundo cão".
Movimentos estudantis: a nova militância

O Estado de S. Paulo
O movimento estudantil no Brasil tem hoje causas tão distinta como a disputa por recursos do pré-sal, a inclusão social e a redução da tarifa de ônibus. Melhor, então, falar no plural, de movimentos estudantis. Apesar da partidarização excessiva e das contestações à liderança da União Nacional dos Estudantes, há coisas novas no front. As cotas, por exemplo, levaram à universidade um público que se mobiliza por medidas práticas, não slogans distantes. Mesmo a militância tradicional modificou seu modelo de atuação, com as redes sociais.
“Eles utilizam intensivamente as novas tecnologias de informação e comunicação, que também funcionam como instrumentos de participação, mobilização e criação de identidade”, diz o pesquisador Breno Bringel, do Grupo de Estudos Contemporâneos da América Latina da Universidade Complutense de Madri. Para ele, a nova militância pode ser chamada de “geração Fórum Social Mundial” – jovens que acreditam num outro mundo possível, embora não saibam ao certo como chegar lá. “Talvez essa seja sua maior riqueza, ter diálogos diferentes da esquerda.”
O atual presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, Marcelo Chilvarquer, acha que o movimento estudantil ainda é um espaço privilegiado de discussão. “Apatia é o que não tem aqui. Temos amor ao debate. É o preço da democracia.” Seu opositor nas Arcadas, Francisco Brito Cruz, da chapa Fórum de Esquerda, concorda. “É muito emocionante defender uma idéia na qual você acredita.”
A USP, aliás, é um bom espelho da fragmentação do movimento. Além da chapa que comanda o Diretório Central dos Estudantes, há dezenas de correntes atuantes, como o Movimento Negação da Negação, Grupo de Mulheres Pão e Rosas, Movimento A Plenos Pulmões e Liberdade USP. Eles defendem direitos das mulheres, homossexuais e negros, um mundo mais “igualitário” e causas específicas, como a ampliação das linhas de ônibus na Cidade Universitária.
Para o doutorando em Literatura Brasileira Dário Neto, de 33 anos, o espaço da militância se tornou mais plural. Engajado, ele já participou de greves na USP, mas se sentia discriminado por ser homossexual. “Aconteciam manifestações homofóbicas, piadas. Não há como lutar pela articulação do estudante se isso não leva em conta toda a sua diversidade.” Ele incentivou a criação do Prisma, grupo de discussão sobre gênero ligado ao diretório.
Como Dário, membros de cada corrente tentam convencer colegas da urgência de sua causa. “É difícil envolver e organizar. Ainda há preconceito de que política é para políticos profissionais. Queremos quebrar essa visão”, diz Natalie Drummond, filiada ao PSOL e integrante da chapa Para Transformar o Tédio em Melodia, que controla o DCE.
Adversário de Natalie nas últimas eleições para o diretório, o aluno de História Rodrigo Souza Neves, de 23, da Liberdade USP (antiga chapa Reconquista), vê excesso de influência partidária no DCE. “Somos a favor da democracia representativa, eles defendem o socialismo e não toleram divergências. Nós nos preocupamos com questões internas, como linhas de ônibus no campus. E eles, com a reforma agrária.”
Mudança no Sul
Privilegiar temas do interesse direto de estudantes é uma bandeira que tem sido levantada em outros Estados também. Em novembro, após 40 anos de domínio da esquerda, uma chapa apartidária venceu a eleição para o DCE da Federal do Rio Grande do Sul, universidade onde estudou a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Seu presidente, o aluno de Administração Renan Pretto, de 20, defendeu na campanha mais segurança no campus, item irrelevante na agenda da militância mais revolucionária. Para alguns universitários, a eleição no DCE representou uma “invasão da direita” na UFRGS. “Os outros grupos estão mais preocupados com questões externas, ligadas ao Irã e ao Iraque, por exemplo,”, rebate Pretto.
Na Federal de Minas, o DCE tem, pela primeira vez, perfil suprapartidário – a maioria é de esquerda, mas também há um representante do PSDB. “Nosso objetivo é fazer uma gestão voltada para a universidade, que garanta o funcionamento do DCE, e não o seu aparelhamento”, diz o estudante de Engenharia Pedro Coelho Silva, de 20 anos, coordenador-geral do diretório. Filiado ao PT, ele tem um discurso pragmático. “Nossa gestão costuma ser criticada pela relação saudável com a reitoria, mas a gente não concorda com a prática de brigar, confrontar, ocupar. Essa forma de diálogo tem dado mais resultado que os outros métodos.”
O DCE participou das discussões que levaram a UFMG a adotar, em maio, o Enem como primeira fase do vestibular 2011. “Era algo que vinha sendo adiado pela reitoria.”
A aluna do 4º ano de História da PUC-SP Dayana Biral, de 24, também acha possível conciliar correntes diferentes, desde que os centros acadêmicos sejam autônomos. “Mas os estudantes podem ser filiados a partidos”, diz Dayana, que milita no PSTU desde os 14 anos.
Para o professor de Ética e Política da Unicamp, Roberto Romano, porém, os partidos transformaram o movimento estudantil em “correia de transmissão” de palavras de ordem. “É muito difícil fazer paralelos com o movimento do passado”, diz Romano, sobre a comparação com a militância contra o regime militar.
“O movimento estudantil hoje não exerce função universitária de pensar, discutir com profundidade e ir à população. Transforma tudo em slogan. Os partidos controlam, mandam, decidem”, afirma. “Hoje o movimento é um imenso curral eleitoral para jovens políticos que querem chegar ao poder. Não há nada que os ligue aos símbolos da resistência à ditadura ou a movimentos de ética na política, como na mobilização contra o Collor.”
‘Chapa-branca’
Parte da confusão sobre os rumos do movimento estudantil é atribuída à UNE pelo pesquisador Otávio Luiz Machado, do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia da Federal de Pernambuco. Como a maioria de seus membros é filiada ao PCdoB, que apóia o governo federal, a entidade tem sua representatividade questionada desde a eleição de Lula, em 2002. “Hoje a UNE é chapa-branca, vejo um bom-mocismo financiado por recursos públicos.”
O presidente da UNE, Augusto Chagas, se defende. Ele afirma que hoje 92% dos DCEs mandam delegações para os congressos anuais da entidade. “A UNE está mais plural do que nunca”, diz. Integrante do DCE da Uninove, Clairton Ferreira é bem menos entusiasmado com a entidade. “O modelo da UNE é um mal necessário.”
A mais emblemática luta encampada pela UNE no último ano é brigar para que a educação receba 50% da renda do pré-sal. Mas ela também abraçou causas práticas, como a ampliação das moradias estudantis. A pressão para isso vem das “bases”, de gente como o presidente do DCE da UFPE, Daniel Pires, que luta para reabrir o restaurante universitário e torná-lo gratuito. Acha que, com bandeiras como essa, vai superar a apatia no campus. “Esperamos que os alunos comecem a ser atraídos para participar.”
A última grande mobilização estudantil depois do “fora Collor” teve origem numa reivindicação de ordem prática. Em Florianópolis, por dois anos seguidos, 2004 e 2005, os estudantes fecharam os acessos à cidade para protestar contra a tarifa de ônibus, na “Revolta das Catracas”. O secretário geral do DCE da Federal de Santa Catarina, Marino Mondek, diz que as manifestações podem ser retomadas, porque em setembro os vereadores aprovaram licitação que permite às empresas operarem ônibus pelo longuíssimo prazo de 35 anos, renováveis por mais 35. “A idéia é fazer um abaixo-assinado. Mas se tivermos que ocupar espaços, não recuaremos.”
Cotistas
Bandeiras como a dos estudantes catarinenses tendem a ganhar força com a presença crescente da classe C nas universidades, via sistemas de cotas ou programas como o Pro uni. Entra o “Ônibus Barato Já”, sai os “Ianques, fora do Iraque”. “Hoje, o movimento estudantil é propositivo”, diz Fernando Maltez, diretor do DCE da Federal da Bahia. “A gente luta pela ampliação do número de vagas, pelo aumento da assistência estudantil, contra a falta de professores.”
“Há uma série de ações que precisam ser melhoradas”, diz a aluna de Serviço Social Liliane Oliveira, que entrou na Federal da Bahia, em Salvador, graças às cotas. Para ela, depois de permitir o acesso ao ensino superior, é preciso garantir apoio financeiro aos cotistas. “Isso interfere na permanência deles na universidade. A bolsa-pesquisa, por exemplo, de R$ 300, mal paga o transporte.”


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Crianças




CRICIÚMA-SC

Criciúma (SC) - Novas Fotos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotografia

Sociologia da fotografia e da imagem

Conhecimento fotográfico

Embora seja uma fonte muito rica para a interpretação das relações sociais, a fotografia tem uso ainda restrito pela sociologia. Aprimorar esse uso por meio de uma nova “sociologia do conhecimento visual” é a proposta central do livro Sociologia da fotografia e da imagem, de José deSouza Martins, que será lançado nesta quarta-feira (8/10), às 19h30, em São Paulo.

Professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Martins é membro do Conselho Superior da FAPESP. O lançamento do livro incluirá a abertura da exposição fotográfica Carandiru – A presença do ausente. As fotos, tiradas pelo autor poucos dias antes da implosão da Casa de Detenção de São Paulo, correspondem a um dos capítulos da obra.

Segundo ele, uma sociologia visual propriamente dita é impossível. A fotografia em si não tem conteúdo sociológico, a não ser que se faça uma leitura dela. “O que existe, o que estou propondo, é uma sociologia do conhecimento visual. Ou seja, a fotografia, o vídeo, o filme como técnicas deconhecimento”, disse.

Para Martins, a imagem não tem conteúdo independente. “Mas ela apresenta indícios de relações sociais, de mentalidades, de formas de consciência social e de maneiras de ver o mundo que tornam possível uma sociologia do conhecimento visual. Uma das conseqüências dessa linha depensamento é que o fotógrafo passa a ser encarado como um intelectual, um produtor deconhecimento”, disse.

A obra reúne seis ensaios produzidos em diferentes circunstâncias, segundo o professor. “A idéia da sociologia do conhecimento visual foi exposta pela primeira vez em uma conferência na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e publicada na revista Estudos Avançados. Este artigo corresponde ao ensaio ‘A imagem incomum: a fotografia dos atos de fé no Brasil’”, disse.

Os outros cinco ensaios que compõem o livro são “A fotografia e a vida cotidiana: ocultações e revelações”, “Impressões de visita a uma exposição de Sebastião Salgado”, “Carandiru: a experiência do ausente”, “Mestre Vitalino: a arte popular no imaginário conformista” e “O impressionismo na fotografia e a sociologia da imagem”.

De acordo com o sociólogo, o objetivo do livro é contribuir para que a sociologia se torne crítica em relação ao uso da imagem e melhore esse uso, tirando da fotografia o que ela pode dar. Sua proposta se contrapõe à linha do norte-americano Howard Becker, considerado o “pai da sociologiavisual” e fundador da primeira revista da área, a Visual Sociology.

“Evidentemente, não pretendo combater um autor dessa relevância. Meu antagonismo em relação à linha de interpretação de Becker é que, como produto da cultura sociológica norte-americana, ele tem uma visão muito amarrada nos pressupostos do positivismo, preocupando-se com o factual, mas não com o simbólico. Isso empobrece a sociologia. A sociologia visual de Becker não é errada, mas é exageradamente cautelosa em relação à realidade e não abre perspectivas para aproveitar tudo o que a fotografia oferece”, apontou.

Desconstrutores da imagem
Para Martins, uma fotografia não é apenas uma imagem, mas um conjunto imenso de subimagensque podem ser lidas pelo sociólogo – que inevitavelmente poderá tirar também dessa leitura muita informação sobre a mentalidade do fotógrafo.

“O modo como as pessoas estão vestidas, como elas olham, como posam ou não, seus adornos, os cenários e a confrontação entre cada um desses elementos formam um conjunto imenso defatores em uma imagem. Podemos fazer análises formais, como os especialistas em semiótica fazem com toda a legitimidade, mas não podemos pensar em uma análise sociológica que ignore as mediações sociais do ato fotográfico”, destacou.

Para Martins, a sociologia tem se enriquecido nas últimas décadas, conforme aumenta a preocupação com as mediações nas relações sociais, sobretudo em relação aos símbolos e significados.

“Essas preocupações já estavam presentes na sociologia clássica, mas quando isso chega à questão da fotografia tudo se complica, porque em uma fotografia documental – sobre a vida em uma favela, no campo, ou centro da cidade, por exemplo – há um fato visual. Ou nos limitamos àdescrição factual daquele conteúdo, ou tentamos interpretar outras coisas contidas naquelas fotografias que podem ser lidas sociologicamente a partir dos desconstrutores da imagem”, disse.

O francês Pierre Bourdieu adotou uma linha diferente: em vez de se defrontar com a factualidade da fotografia, ele lidava com sua utilidade. O que ele analisa sociologicamente é o uso que as pessoas fazem da fotografia. Para Martins, Bourdieu fez observações importantes, como o uso ritual do registro fotográfico.

“No caso da França camponesa, a fotografia, em um batizado ou casamento, é substitutiva do dom, da dádiva. Ela entra em uma relação de troca. Não entra mais na lógica própria do que é a fotografia, que é uma forma de produção de imagens do mundo moderno, racional e industrial. Ela entra no sistema lógico da sociedade pré-moderna, transforma-se em outra coisa, como se ganhasse vida”, disse.

A perspectiva proposta por Martins é a de uma leitura que englobe as linhas de Becker e Bourdieu, mas que mergulhe mais profundamente nas possibilidades de interpretação sociológica oferecidas pelo registro fotográfico.

“Proponho uma linha mais atrevida que consiste em explorar o que inevitavelmente está presente na fotografia popular. Essas fotos típicas de um parente que aparece, minúsculo, ao lado da catedral de Nôtre-Dame, por exemplo. Trata-se da foto do parente, mas não é apenas isso – é o parente explicado pela catedral. O sociólogo tem que saber lidar com os absurdos da fotografia”, afirmou.

Martins acrescenta que, em relação à metodologia do uso da fotografia, há uma convergência entre o que se faz em história e sociologia. “Ambas têm usado a fotografia equivocadamente, subutilizando-a, relegando-a ao papel coadjuvante de ilustrar matérias. Escreve-se um artigo sobre favelas e coloca-se lá uma fotografia de uma favela para ilustrar a idéia de favela. Mas aquilo não serve para ajudar a compreender o que é uma favela. Quando vemos a foto, agregamos um novo conhecimento ao conhecimento do objeto fotografado, mas trata-se de outra coisa”, explicou.

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP


Educação de Qualidade
Pesquisa de economista americano, realizada em países da América Latina, mostra que as práticas de classe são o motivo do sucesso na ilha.
Rodrigo Ratier
Foto: Marina Piedade
MARTIN CARNOY “Em Cuba, a turma trabalha mais, as perguntas do educador levam todos a pensar e ele não para a toda hora para pedir atenção.”
Em 1997, uma pesquisa conduzida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) testou os conhecimentos em Matemática e linguagem de 4 mil alunos de 3ª e 4ª séries de 13 países latino-americanos. Os cubanos têm desempenho muito melhor que os das outras nações. Em 2005, num novo exame, novamente Cuba ocupou o topo da lista. Qual o segredo da ilha para obter resultados tão bons? A pergunta motivou Martin Carnoy, que leciona Educação e Economia da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, a realizar um estudo comparativo entre Cuba, Chile e Brasil. Após filmar aulas de Matemática (disciplina em que o desempenho foi mais desigual nos três países) em 36 escolas e entrevistar funcionários da área de Educação de todos os níveis de governo, além de professores, diretores, estudantes e pais, o americano concluiu que boa parte das diferenças está dentro das próprias salas. “Em Cuba, a turma trabalha mais, as perguntas do educador levam todos a pensar e ele não para a toda hora para pedir atenção.” Isso, no entanto, dentro de um ambiente ideologizado e repressivo, o que sugere a necessidade de adaptar as soluções para um contexto democrático. A convite da Fundação Lemann, Carnoy esteve no Brasil em agosto para lançar o livro A Vantagem Acadêmica de Cuba, em que relata as descobertas da pesquisa. Na ocasião, ele detalhou a NOVA ESCOLA o que viu nos três países.
De acordo com sua pesquisa, por que os alunos de Cuba obtêm resultados superiores aos dos outros países da América Latina?
MARTIN CARNOY
Há diversos fatores em jogo, mas eu diria que o principal é o uso eficiente do tempo em sala. Filmamos aulas de Matemática da 3ª série em 36 escolas de Cuba, do Chile e do Brasil e descobrimos que, na ilha, elas são mais focadas na aprendizagem do que nos outros dois países. Como escrevo em meu livro, a qualidade de um sistema educacional depende da qualidade das experiências desenvolvidas em sala de aula.
Com qual atividade o professor brasileiro gasta mais tempo?
CARNOY
Com o trabalho em grupo. Na média das escolas em que pesquisamos, 30% do tempo é dedicado a essa tarefa. No Chile, o índice foi ainda maior, 34%, enquanto em Cuba caiu para 11%. O grande problema é que, na maioria das vezes, os brasileiros estão apenas sentados juntos, ou seja, com as carteiras unidas, mas sem interagir para resolver problemas matemáticos. Cada um trabalha por si ou apenas conversa com os colegas. O verdadeiro trabalho em equipe, que inclui a discussão para resolver a questão proposta, ocorre muito pouco tanto no Brasil como no Chile.
O que toma mais tempo das aulas nas escolas de Cuba?
CARNOY
Lá, 41% do tempo é reservado às tarefas individuais. A vantagem é que os alunos realmente trabalham em 38% do período resolvendo problemas e fazendo exercícios. Enquanto isso, o professor circula entre as carteiras, orientando e tirando dúvidas. Por outro lado, o período dedicado à cópia de instruções é baixo: apenas 2%.
No Brasil, o tempo usado com cópia é maior do que na ilha?
CARNOY
Sim. É três vezes superior ao verificado em Cuba. Numa das salas brasileiras que observamos, a garotada chegou a ficar uma hora copiando enunciados de problemas no caderno, algo que poderia ser resolvido com uma fotocópia ou uma folha mimeografada. Para piorar, não foi explicado o porquê daquele trabalho. Não estou dizendo que o quadro-negro não deva ser utilizado: ele é importante para apresentar conceitos e discuti-los, mas acho que seu uso deve ser rápido. Passar a aula toda escrevendo é, sem dúvida, uma perda de tempo.
Que outras diferenças importantes a pesquisa revelou no que se refere ao uso de tempo?
CARNOY Descobrimos que no Chile e no Brasil despende-se o dobro dos minutos em transições de atividades ou interrupções, como pedidos de silêncio. Isso indica que a prática cubana é mais eficiente, mas também pode ter a ver com o tamanho médio das turmas. Em Cuba, as classes que analisamos tinham em média 17,9 crianças, enquanto nas brasileiras havia 27,9, e nas chilenas, 37,1.
O estudo enfoca ainda o tipo de pergunta feito à meninada. O que os dados demonstram?
CARNOY
Dividimos as questões em três categorias: as repetitivas, as que têm respostas curtas e as mais complexas, que exigem a explicação do raciocínio usado – em Matemática, é essencial descrever o processo que se está aprendendo. Em Cuba, perguntas desse último tipo aparecem em 55% das aulas. Percebi que no Brasil o mesmo não ocorre. Aqui, predominam as perguntas repetitivas, geralmente respondidas em coro. Isso quando são feitas, pois em 25% das aulas brasileiras a que assistimos elas não existiram. Também há pouca discussão sobre os equívocos. Quando alguém comete um erro, o educador geralmente apaga e chama outro para o quadro. Seria muito mais produtivo perguntar: “Onde está o problema? Por que a solução está incorreta?” Do contrário, ninguém entenderá onde errou.
O material didático apresenta diferenças significativas nos três países?
CARNOY
No Brasil, os livros didáticos são abrangentes, mas pouco profundos. Digo que têm 1 quilômetro de diâmetro e 1 centímetro de profundidade. Eles também possuem muitas informações teóricas, provavelmente para servir como guia de apoio ao docente, já que a formação dele é fraca. Na maioria das vezes, ele não consegue apresentar todo o conteúdo trazido pelo material. Em Cuba, há menos variedade de temas, mas cada assunto é explorado detalhadamente e com mais exercícios. O resultado é que no Brasil é bem menor a exigência em termos de habilidades cognitivas.
Como todos esses fatores interferem no desempenho dos alunos?
CARNOY
Entre as três nações, o Brasil ficou em último no nível de proficiência matemática. Em uma escala que vai até 5, ele tirou 2,2, enquanto o Chile ficou com 3,2, e Cuba, com 3,8. Numa das salas brasileiras, a compreensão dos conceitos não atingiu nem o nível básico, pois as atividades se baseiam quase exclusivamente na memorização e na cópia mecânica. O país também teve a pior posição quanto à média de atenção dos estudantes e ao grau de disciplina. Pela linguagem corporal e pelas atitudes em sala, é visível quando os brasileiros ficam entediados. Aí, se desligam da tarefa e passam a brincar ou a participar de conversas paralelas. No outro extremo estão os cubanos, que têm um envolvimento maior. Muito disso se deve ao bom planejamento. Quando alguém termina uma tarefa, já se apresenta outro desafio. Então, não dá tempo de se aborrecer.
Por que os educadores cubanos conhecem os alunos melhor do que os brasileiros?
CARNOY
Primeiro porque a rotatividade dos estudantes cubanos é bem menor do que nas escolas brasileiras. Eles tendem a ficar por vários anos na escola em que ingressam. Segundo porque em Cuba os mestres seguem com a mesma turma da 1ª à 6ª série. Além de terem maior familiaridade com ela, já conhecem os problemas e se esforçam para que não se repitam no ano seguinte.

De que maneira a equipe gestora colabora para a qualidade do ensino?
CARNOY
O ponto principal é que, em Cuba, diretores e vice-diretores supervisionam de perto o trabalho docente entrando constantemente em sala para ver se o currículo está sendo cumprido e como é ensinado. Os educadores estão acostumados a ser apoiados didaticamente e ser avaliados pelos gestores. É um trabalho focado no aprendizado. Além disso, os diretores conhecem muito bem os estudantes e as medidas adotadas para garantir que cada um avance.

Além do que ocorre dentro da escola, que outros fatores podem influenciar a aprendizagem?CARNOY O modelo que utilizamos inclui o chamado capital social gerado pelo Estado, que diz respeito à atuação do governo na organização do sistema educacional. Ao definir o currículo, a distribuição de alunos pelas escolas, o recrutamento e a formação docente em serviço, o Estado tem um impacto importante na atmosfera da sala. Isso se reflete no comportamento dos pequenos, nas poucas faltas dos professores e no compromisso deles e dos gestores com a melhoria da aprendizagem, além da expectativa dos pais em relação à escola. Somam-se a esse cenário a garantia de condições de saúde e de segurança e o combate ao trabalho infantil, que também são essenciais à aprendizagem. No entanto, em virtude da atuação da administração governamental centralizada e hierárquica, os métodos de ensino e o currículo são rigidamente impostos. Como não se trata de uma democracia, o ambiente estimulante para o estudo não ocorre com a participação das famílias em reuniões de conselhos escolares, por exemplo.
A formação dos professores em Cuba é de melhor qualidade?
CARNOY
Sim, especialmente em Matemática. Primeiro porque os estudantes aprendem um bom conteúdo no Ensino Médio e isso tem um efeito importante na forma de atuar quando se tornaram professores. Segundo porque a formação inicial tem foco claro em como ensinar o currículo nacional. No Brasil, além de a Educação Básica ser mais fraca, a formação inicial ou é insuficiente, ou é excessivamente teórica. Os recém-formados sabem muito sobre teorias do ensino e pouco sobre como ensinar.
Como a ilha consegue atrair bons profissionais pagando salários de cerca de 35 reais?
CARNOY
Os salários lá são fixados pelo Estado – que supre necessidades básicas, como moradia e alimentação – e, de fato, os educadores ganham mal. Mas, como a economia de mercado é muito pequena, as outras profissões também são mal remuneradas. Essa situação vem mudando nas províncias turísticas, onde as economias são dolarizadas e uma arrumadeira de hotel pode ganhar o triplo de um professor. Por enquanto, quem se sai bem no Ensino Médio ainda é atraído para o Magistério, considerado uma profissão de relativo prestígio. No Brasil, é preciso recuperar o salário do setor para que ele se equipare ao de outras ocupações de nível superior e atraia os melhores. O Chile deu um passo importante: nos últimos 13 anos, triplicou o salário dos docentes. Como resultado, a nota mínima para ingresso nas faculdades de Educação subiu até 10% entre 1998 e 2001.
Seu livro afirma ainda que a desigualdade também interfere no resultado educacional. Como isso ocorre?
CARNOY
Em geral, as crianças frequentam escolas com colegas muito parecidos em termos socioeconômicos. No Brasil, 80% das famílias que estão entre os 20% mais pobres da pirâmide social mandam os filhos para escolas que atendem moradores de lares com rendas similares. De um lado, o resultado é uma concentração dos que têm origem semelhante em uma mesma instituição. Nas escolas de classe baixa, como a clientela tem uma procedência familiar muito parecida – em geral, com pais pouco escolarizados -, não há bons modelos em que se inspirar. Além disso, nossa pesquisa mostra que esse tipo de escola atrai os piores mestres, que possuem expectativas reduzidas sobre o que a garotada pode aprender.
Para finalizar, quais lições de Cuba o Brasil não deveria seguir?
CARNOY
Penso que por aqui existe muito mais liberdade de crítica e de questionamento. Há mais caminhos para ser criativo no Brasil do que em Cuba. A possibilidade de um profissional de Educação dizer “Eu não concordo com isso” e não ser punido de alguma forma simplesmente por não se ajustar à ideologia dominante é fundamental.
Fonte: Revista Escola – http://revistaescola.abril.com.br/

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo!

Primeiro Texto


Oi, sou a professora Maria Aparecida da Silva e estou criando meu blog na aula do curso de Sociologia da Unesc. Estou aqui com  meus colegas no laboratório de informática!