sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ecovila


Ecovila é um modelo de assentamento humano sustentável. São comunidades urbanas ou rurais de pessoas que tem a intenção de integrar uma vida social harmônica a um estilo de vida sustentável. Para alcançar este objetivo, as ecovilas incluem em sua organização muitas práticas como:
1. Produção local e orgânica de alimentos;
2. Utilização de sistemas de energias renováveis;
3. Utilização de material de baixo impacto ambiental nas construções (bioconstrução ou Arquitetura sustentável);
4. Criação de esquemas de apoio social e familiar;
5. Diversidade cultural e espiritual;
6. Governança circular e empoderamento mutuo, incluindo experiência com novos processos de tomada de decisão e consenso;
7. Economia solidária, cooperativismo e rede de trocas;
8. Educação transdisciplinar e holística;
9. Sistema de Saúde integral e preventivo;
10. Preservação e manejo de ecossistemas locais;
11. Comunicação e ativismo global e local.
Ecovilas são entidades autônomas na medida em que preenchem, numa área limitada e apreenssível, as principais funções socias: moradia, sustento, produção, vida social, lazer, etc. Nesse sentido pode-se entender uma ecovila como um microcosmo.
Ao longo de milhares de anos a humanidade viveu em comunidades sustentáveis, em contato íntimo com a natureza, desenvolvendo uma gigantesca diversidade cultural, onde em geral imperava uma estrutura social de apoio mútuo e cooperação. O evento da sociedade patriarcal e guerreira é bastante recente (16.000 anos), mas tem causado um grande impacto no planeta. Enquanto isso as sociedades tradicionais lutam por sobreviver.
Neste contexto as ecovilas surgem como modelos alternativos ao padrão insustentável das sociedades modernas, incorporando os antigos conhecimentos com a moderna ciência e filosofia. De acordo com um número crescente de cientistas, teremos que aprender a viver de forma sustentável, se quisermos sobreviver como espécie. Os modelos de sustentabilidade desenvolvidos ao longo de mais de 40 anos pelas milhares de ecovilas ao redor do mundo formam um grande banco de dados de soluções aos atuais problemas da humanidade e fonte de riquíssimas experiências que podem ajudar a reconectar as pessoas à Terra numa forma que permita o bem estar de todas as formas de vida e futuras gerações.
Os defensores das ecovilas afirmam que o ser humano é capaz de criar uma vida cheia de amor e sentido. E essa seria a parte central numa ecovila, sua vida social, cultural e espiritual. Segundo eles, os seres humanos são seres sociais e amorosos por natureza, apesar de a cultura ocidental moderna valorizar em excesso o indivilualismo, a competição, a violência, o poder, o controle, a desconfiança e a apropriação. Reconectar os seres humanos a sua natureza significaria barrar estes valores, limpando esta carga cultural, e colocando a cooperação, o amor, o respeito, a transparência, a solidariedade e a confiança novamente no centro de suas vidas.
Em 1998, as ecovilas foram nomeadas oficialmente na lista da ONU das 100 melhores práticas para o desenvolvimento sustentável, como modelos excelentes de vida sustentável.
Elas surgem de acordo com as características de suas próprias bio-regiões e englobam tipicamente quatro dimensões: a social, a ecológica, a cultural e a espiritual, combinadas numa abordagem que estimula o desenvolvimento comunitário e pessoal.
O conceito de ecovilas oferece um único modelo, embora com múltiplas manifestações locais. No núcleo do modelo está a celebração da diversidade cultural, espiritual e ecológica e o impulso para se recriar comunidades humanas em que as pessoas possam redescobrir as relações saudáveis e sustentáveis consigo mesmas, a sociedade e a Terra. O modelo de ecovila tem proposto soluções viáveis para erradicação da pobreza e da degradação do meio-ambiente e combina um contexto de apoio sócio-cultural com um estilo de vida de baixo impacto.
O que é sustentado numa ecovila não é o crescimento econômico ou o desenvolvimento, mas toda a rede de vida da qual depende nossa sobrevivência futura de longo prazo. Uma ecovila é programada de tal maneira que os negócios, as estruturas físicas e tecnológicas não interfiram com a habilidade inerente à natureza de manter a vida. Um dos princípios fundamentais do modelo é não tirar da Terra mais do que podemos devolver a ela. E assim fazendo, potencialmente, a comunidade pode continuar indefinidamente. Um dos conceitos utilizados nas ecovilas é o da permacultura, que é um sistema de design sustentável.
A implementação das ecovilas envolve um esforço das bases, de baixo para cima, mais do que a abordagem de cima para baixo. Cada ecovila dentro do seu próprio contexto cultural e ambiental, busca e demonstra soluções locais, usando tecnologias apropriadas, materiais locais, know-how local e antes de tudo oferecendo soluções compatíveis e acessíveis a todos.
O conceito de ecovila tem sido promovido e implementado por grupos espalhados pelo planeta, muitas vezes com recursos limitados e mínimo apoio institucional ou governamental. Estes grupos demonstram exemplos viáveis de vida auto-sustentada, modelos positivos traduzidos em realidade, para que outros grupos e indivíduos possam aprender, e inspirar-se onde o sucesso já foi alcançado.
Essa é a missão do movimento das ecovilas: explorar novas fronteiras e praticar aplicações concretas para a sustentabilidade. Nesta busca elas tecem uma filosofia de harmonia e paixão, sonho e visão, de terra e cosmo, de tecnologia e espírito, de educação e ativismo, de dança e canto, de ciclo e equilíbrio, de morte e renovação. Ecovilas, em síntese, honram, restauram e celebram os quatro elementos e seus processos interconectados na Natureza e nas pessoas.
Índice
• 1 Nascimento da Rede Global de Ecovilas (GEN)
• 2 Permacultura
o 2.1 Água
o 2.2 Tratamento de rejeitos
o 2.3 Energia
o 2.4 Transporte
o 2.5 Bioconstrução
o 2.6 Economia solidária e consumo consciente
o 2.7 Produção local de alimentos orgânicos
o 2.8 Governança circular, empoderamento e decisões por consenso
• 3 Referências
• 4 Ver também
• 5 Ligações externas

Nascimento da Rede Global de Ecovilas (GEN)
O ímpeto que levou várias comunidades intencionais a se unirem formando GEN- Rede Global de Ecovilas partiu da organização Gaia Trust da Dinamarca. No início da década de 90 Ross e Hildur Jackson, diretores da Gaia Trust, perguntaram como sua organização poderia usar melhor seus recursos para avançar o movimento de sustentabilidade. Eles advogavam que na nossa sociedade tecnológica precisava-se de bons exemplos do que significa viver em harmonia com a Natureza, de uma forma sustentável e espiritualmente interconectada.
Em 1991 Gaia Trust, convidou Robert e Diane Gilman, editores da revista In Context, para fazer uma pesquisa de campo e identificar os melhores exemplos de comunidades sustentáveis ao redor do mundo. O resultado de sua pesquisa revelou a existência de muitas comunidades em busca de sustentabilidade, entretanto a ecovila ideal, sem ‘gaps’, ainda não existia. No entanto, se reuníssemos todos os projetos existentes, poderíamos identificar a emergência de uma nova visão, cultura e estilo de vida que poderia funcionar como modelo positivo de um futuro humano e planetário viável e sustentável.
Em seu relatório – Ecovilas e Comunidades Sustentáveis – pela primeira vez uma ecovila é definida como:
"(…) uma grandeza humana, um povoado autônomo no qual as atividades humanas são harmoniosamente integradas na natureza de forma a promover um desenvolvimento humano saudável e que possa ser mantido indefinidamente.”
Com base no relatório Gilman, representantes de algumas comunidades bem estabelecidas começaram a se reunir à partir de 1991 para discutir uma estratégia de desenvolvimento e difusão do conceito de ecovilas. Foram estabelecidas conexões e identificadas áreas comuns nas quais podíamos entusiasticamente trabalhar juntos. Em 1995 num encontro histórico realizado na Fundação Findhorn o conceito de ecovilas foi lançado globalmente. Neste encontro estavam presentes comunidades que, como Findhorn, já haviam adquirido uma maturidade no seu experimento comunitário e uma complexidade social e econômica. Estas comunidades estavam se tornando vilas auto-sustentáveis e já era tempo de reafirmarem um novo estágio no seu caminhar.
A conferencia “Ecovilas e Comunidades Sustentáveis – modelos de vida no Século XXI”, atraiu 400 participantes de todo o mundo, e mais 300 que não puderam acompanhar. Nesta ocasião foi estabelecida a Rede Global de Ecovilas -GEN-, com um secretariado internacional na Dinamarca e três regionais: nos EUA cobrindo todas as Américas, na Austrália cobrindo a Oceania e a Ásia, na Alemanha cobrindo o continente Europeu e África.
Cada secretariado recebeu o mandato de construir e fortalecer redes regionais e nacionais, de promover cooperação entre as regiões, e de divulgar a experiência das ecovilas para os formuladores de políticas, planejadores e o público em geral.
Criada em 1995 por 9 ecovilas “sementes”, The Farm, EUA, Lebensgarten, Alemanha, Crystal Waters, Australia, Eco-ville St Petersburg, Russia, Gyurufu, Hungria, Projeto Laddak, India, Auroville, India, Findhorn Foundation, Escocia, Associaçao Dinamarquesa de Ecovilas, Dinamarca. Hoje a Rede Global de Ecovilas - GEN - engloba mais de 15.000 ecovilas transformando-se no que é chamado de “A Revolução do Habitat”.
Membros da rede incluem redes como - Sarvodaya (11 mil vilas tradicionais no Sri Lanka); - Eco Yoff e Colufifa (350 vilas no Senegal); - o projeto Ladakh, no planalto tibetano; - ecocidades como Auroville, no sul da Índia, e Nimbin, na Austrália; - pequenas ecovilas rurais como a Gaia Asociación, na Argentina, e Huehuecoyotl, no México; - projetos de rejuvenescimento urbano como o Eco Village de Los Angeles e Christiania de Copenhagen; - projetos de permacultura como Crystal Waters, na Austrália e Barus, no Brasil; - e centros educacionais como Findhorn Ecovillage, na Escócia, o Centro de Tecnologia Alternativa, no País de Gales, Earthlands, em Massachusetts, e muitos outros.
O movimento foi muito auxiliado pelo surgimento da Internet, como um instrumento de uma rede internacional e, podemos afirmar que a rede virtual fez o movimento descobrir sua real força e diversidade.
Hoje, GEN leva a mensagem das ecovilas aos principais fóruns governamentais e sociedades civis. É um importante participante do programa de treinamento das Nações Unidas para ajudar governos locais a implementar a Agenda 21 e a Agenda Habitat, tem status consultivo como uma ONG na ONU, tem representantes em eventos como o Encontro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (World Summit on Sustainable Development) e os Fóruns Sociais Mundial e Europeu, além de se apresentar em inúmeros congressos e seminários sobre temas relacionados em todo o mundo.
Permacultura
Água
Fonte de vida, a água e seu ciclo são essencias para a manutenção dos ecossistemas e do ser humano.
A falta de cuidado com a água em quase todas cidades do Brasil e no mundo é alarmante. Mas as soluções já estão ai. Para que as cidades sejam de fato sustentáveis, é preciso que haja uma ampla educação e conscientização, e a descentralização nos sistemas de tratamento de águas. As soluções em pequena escala são muito importantes. Em muitas regiões, é um recurso bastante escasso, e nesses casos, é essencial captar água da chuva e armazená-la em cisternas.
Para bombear a água para locais mais altos pode-se utilizar bombas manuais de PVC, construídas manualmente a baixo custo, ou então por meio do carneiro hidráulico, que aproveita a energia do próprio curso d'água ]. Esta água pode ser armazenada em cisternas de ferrocimento
Toda água adquirida de chuvas pode ser filtrada por meio de biofiltros hidropônicos de aguapé, carvão, areia e brita. Ou então por meio de leitos filtrantes com areia e taboa ou lirio do mato. A água utilizada em alimentos e no banho pode ser encanada e filtrada da mesma forma que a água da chuva com estes filtros. Para consumo, podem ser utilizados filtros de barro, que são adquiridos facilmente e são muito baratos.
Tratamento de rejeitos
Uma forma inteligente de tratar dejetos é utilizar o banheiro seco. Não gasta água e não produz esgoto. O sol, o tempo e as minhocas fazem o trabalho de transformar matéria orgânica em fertilizante. O interior pode ser igual ao de um banheiro comum, mas em vez de água na descarga, serragem.
Outra alternativa são os biodigestores, que geram um fertilizante líquido que pode ser utilizado na irrigação da lavoura da ecovila. O biogás produzido com dejetos humanos não é muito expressivo, mas pode complementar outras fontes de combustível.
O lixo passa pela coleta seletiva, e sempre que possível é reciclado ou transportado para centros de reciclagem. Todo lixo orgânico gerado ainda pode ser utilizado como adubo para as hortas. As águas cinzas (pia, ducha, da limpeza de roupas, etc.) podem ser tratadas num sistema de tanques com filtros e plantas aquáticas, que purificam a água, graças às bactérias que vivem em suas raízes. Veja no site o Ipema para mais detalhes.
Energia
A energia elétrica pode ser gerada localmente por painéis solares, geradores eólicos, moinho de água, biogás, ou outras fontes.
Os custos são compensados a longo prazo, com a economia gerada e com a venda da energia excedente para a rede pública de energia elétrica, que atualmente é vendida a preço mais alto do que a comprada.
Existe atualmente uma infinidade de tecnologias ecológicas de captação e uso de energia, e muitas ainda a serem desenvolvidas.
Transporte
Enquanto não surgirem alternativas ao motor de combustão, necessitar o mínimo possível de transportes que utilizem combustíveis fosseis seria o ideal, e as alternativas são a bicicleta, trem, transporte coletivo e sistema de caronas, que ajudam muito a diminuir os custos e a pegada ecológica.
Bioconstrução

Casa de palha e barro, em Sieben Linden
A indústria do setor de construção é uma das que mais poluem e destroem o ambiente.
Existe hoje uma infinidade de conhecimentos em bioconstrução, que além de utilizar materiais ecológicos, resolve uma grande quantidade de problemas nas moradias, principalmente ao que se refere à economia de energia e bem estar. A posição solar, a arquitetura que otimiza a luz natural, ventilação, aquecimento e resfriamento passivo, enfim, há várias formas de se otimizar a economia energética e o bem estar.
Algumas opções de materiais são: tijolos-ecológicos, feitos de barro prensado, contruções com cob, fardos de palha e barro (excelentes para o isolamento térmico), pau-a-pique, taipa de pilão, etc.
Para o telhado, uma boa alternativa é o chamado telhado verde, que possui grande poder de isolamento térmico no inverno e arrefecimento por evapo-transpiração das plantas no verão, diminuindo sensivelmente os gastos com energia para aquecimento e resfriamento dos ambientes. As águas cinzas podem ser aproveitadas para irrigar o telhado verde.
Economia solidária e consumo consciente
A sustentabilidade econômica de uma comunidade se fortalece na medida em que as trocas se tornam cada vez mais locais, com a criação de uma rede de colaboração e trocas, uma moeda social, pequenos negocios e incentivos locais.
O consumo hoje é a medida do sucesso pessoal na sociedade moderna. Entretanto nem sempre este esta associado a qualidade de vida e a felicidade, e sim, muitas vezes, a deterioração das comunidades e dos ecossistemas. Além disto, estamos hoje presos a um sistema onde somos obrigados a trabalhar, sem tempo livre, para poder consumir produtos que não correspondem as nossas necessidades, e de seguir modelos de sucesso e imagem criados pela midia.
Estarmos conscientes de como participamos da estrutura socio-economica mundial, geradora de concentração de renda, pobreza, violência, doenças e ignorancia, é o primeiro passo para mudarmos o sistema, e deixarmos de ser "vitimas". O segundo é a escolha do que e quanto consumir.
A organização do trabalho dentro da comunidade depende dos conhecimentos e habilidades dos seus integrantes. Em muitas ecovilas tem sido prezada a auto-suficiência em materiais, alimentos e serviços. Em outras, há um forte trabalho com o setor público, visitantes, trabalhos com a comunidade dos arredores, cursos, projetos, festivais e todo tipo de atividades que tragam algum retorno à comunidade e beneficie o máximo de pessoas.
Produção local de alimentos orgânicos
Em quase todas ecovilas, a produção de alimentos saudáveis e o cuidado da terra, dentro dos principios da permacultura, é uma pratica bastante comum, em pequena ou grande escala. Na permacultura, é muito importante o contato, observação e compreensão da terra e ecossistemas locais. A partir disso, se cria um design sustentável de um sistema muito produtivo, resistente e belo, com pouco uso de energia e sem desperdicios.
Governança circular, empoderamento e decisões por consenso
Como em toda sociedade, as ecovilas também tem uma organização política e social. Os acordos de convivencia, as habilidades de comunicação, partilhas emocionais, feedbacks, mediação de conflitos, e o fortalecimento da visão comum são pontos cruciais para a determinação do bom convívio. As decisões em geral são feitas por algum sistema de consenso ou através de conselhos. Há também uma forte tendencia para o empoderamento, ou seja, compartilhar poder e responsabilidades.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O que é a Escola de Frankfurt

Um Traçado Histórico
Em novembro de 1918, pro clamou-se a república em um país até então dominado pela família dos Hohenzollern, cujo poder se ampliou desde sua constituição no século XII, na Prússia, até o século XX e que conduziu à unificação dos principiados independentes, formando um Estado nacional. Foi Bismarck quem, em 1871, consolidou o Estado alemão sob a hegemonia da Prússia, o que significava predominância do militarismo e da burocracia. A Alemanha, portanto, tornou-se à imagem e semelhança do Reino da Púrssia. No início do século XX a Alemanha assistiu a duas insurreições operárias: a de novembro de 1918 - que proclamou a república e depôs os Hohenzollern - e a de 1923, levante dos operários de Bremen, sufocado pelo Partido Socialista Alemão, que, na ocasião, era governo. A sociedade alemã foi seriamente abalada por esses movimentos.

Fundação da Escola de Frankfurt
A Escola de Frankfurt foi fundada em 1924 por iniciativa de Félix Weil, filho de um grande negociante de grãos de trigo na Argentina. Antes dessa denominação tardia (só viria a ser adotada, e com reservas, por Horkheimer na década de 1950), cogitou-se o nome Instituto para o Marxismo, mas optou-se por Instituto para a Pesquisa Social. Seja pelo anticomunismo reinante nos meios acadêmicos alemães nos anos 1920-1939, seja pelo fato de seus colaboradores não adotarem o espírito e a letra do pensamento de Marx e do marxismo da época, o Instituto recém-fundado preenchia uma lacuna existente na universidade alemã quanto à história do movimento trabalhista e do socialismo. Carl Grünberg, economista austríaco, foi seu primeiro diretor, de 1923 a 1930. O órgão do Instituto era a publicação chamada Arquivos Grünberg. Horkheimer, a partir de 1931, já com título acadêmico, pôde exercer a função de diretor do Instituto, que se associava à Universidade de Frankfurt. O órgão oficial dessa gestão passou a ser a Revista para a Pesquisa Social, com uma modificação importante: a hegemonia era não mais da economia, e sim da filosofia. A Teoria Crítica realiza uma incorporação do pensamento de filósofos "tradicionais", colocando-os em tensão com o mundo presente.

Principais Filósofos da Escola de Frankfurt

Max Horkheimer
Max Horkheimer nasceu em 1885, Stuttgard, e faleceu em 1973. Como todos os intelectuais da Escola de Frankfurt, era judeu de origem, filho de um industrial - Mortitz Horkheimer -, e ele próprio estava destinado a dar continuidade aos negócios paternos. Por intermédio de seu amigo Pollock, Horheimer associou-se em 1923 à criação do Instituto para a Pesquisa Social, do qual foi diretor, em 1931 sucedendo o historiador austríaco Carl Grünberg.

Theodor Adorno
Theodor Wiesengrund Adorno nasceu em 1903 em Frankfurt, filho de pai alemão - um próspero negociante de vinhos, judeu assimilado - e mãe italiana. Cedo em sua vida intelectual, descobriu a obra de Kant por intermédio de seu amigo Kracauer, especialista em sociologia do conhecimento, que viria a se notabilizar com a publicação da obra De Caligari a Hitler, sobre as relações entre o cinema e o nazismo. Adorno vinha de um meio de musicistas e amantes de músicas e logo se orientou para a estética musical. Com o fim da Guerra, Adorno é um dos que mais desejam o retorno a Frankfurt, tornando-se diretor-adjunto do Instituto Para Pesquisa Social e seu co-diretor em 1955, com a aposentadoria de Horkheimer, Adorno torna-se o novo diretor.

Herbert Marcuse
Herbert Marcuse nasceu em Berlim numa família de judeus assimilados. Foi membro do Partido Sicial-Democráta Alemão entre 1917 e 1918, tendo participado de um Conselho de Soldados durante a revolução berlinence de 1919, na seqüência da qual deixou o partido. Estudou filosofia em Berlim e Freiburg, onde conheceu os filósofos e professores de filosofia Husserl e Heidegger e se doutorou com a tese "Romance de artista".

HORKHEIMER

Materialismo e Moral

- Neste trecho do ensaio de 1933, Horkheimer, fala da nessecidade de reunificar ética e política, sentimentos morais e transformação social.
Teoria Tradicional e Teoria Crítica

- Neste texto, de 1937, Horkheimer mostra a indivisão entre a teoria conceitual e práxis social. A teoria Crítica reunifica razão pensamento duralista que separa sujeito e objeto de conhecimento.

Teoria Crítica Ontem e Hoje

-Horkheimer apresenta nesse texto de 1970 as características de sua Teoria Crítica: filosofia e religião, teologia e revolução devem ser coadjuvantes.
A Dimensão Estética

- A arte possui um tônus revolucionário especial: não pode mudar a sociedade, mas é capas de transformar a consciência daqueles que modificam o mundo. Isso porque indica um "princípio de realidade" incompatível com a coerção política e psíquica.
Escola de Frankfurt
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Parte da série sobre o
Marxismo



Trabalhos teóricos[Expandir]


Ciências sociais[Expandir]


Economia[Expandir]


História[Expandir]


Filosofia[Expandir]


Representantes[Expandir]


Crítica[Expandir]



Portal do comunismo

v • e

Escola de Frankfurt (em alemão: Frankfurter Schule) refere-se a uma escola de teoria social interdisciplinar neo-marxista, particularmente associada com o Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt. A escola inicialmente consistia de cientistas sociais marxistas dissidentes que acreditavam que alguns dos seguidores de Karl Marx tinham se tornado "papagaios" de uma limitada seleção de ideias de Marx, usualmente em defesa dos ortodoxos partidos comunistas. Entretanto, muitos desses teóricos experimentaram que a tradicional teoria marxista não poderia explicar adequadamente o turbulento e inesperado desenvolvimento de sociedades capitalistas no século vinte. Críticos tanto do capitalismo e do socialismo da União Soviética, as suas escritas apontaram para a possibilidade de um caminho alternativo para o desenvolvimento social.
Apesar de algumas vezes apenas espontaneamente afilhados, os teóricos da Escola de Frankfurt falaram com um paradigma comum em mente, compartilhando, portanto, os mesmos pressupostos e sendo preocupados com questões similares. A fim de preencher as percebidas omissões do marxismo tradicional, eles socilitaram extrair de outras escolas de pensamento, por isso usaram ensaios de sociologia antipositivista, psicanálise, filosofia existencialista e outras disciplinas. As principais figuras da escola foram solicitadas a aprender e sintetizar os trabalhos de variados pensadores, como Kant, Hegel, Marx, Freud, Weber e Lukács.
Seguindo Marx, eles estavam preocupados com as condições que permitiam mudanças sociais e o estabelecimento de instituições racionais. A sua ênfase no componente "crítico" da teoria foi derivada significativamente da sua tentativa de superar os limites do positivismo, materialismo e determinismo retornando à filosofia crítica de Kant e aos seus sucessores no idealismo alemão, principalmente a filosofia de Hegel, com sua ênfase na dialética e contradição como propriedades inerentes da realidade.
Desde a década de 1960, a teoria crítica da Escola de Frankfurt tem sido crescentemente guiada pelo trabalho de Jürgen Habermas na razão comunicativa, intersubjetividade linguística e o que Habermas chama de "discurso filosófico da modernidade". Mais recentemente, teóricos críticos como Nikolas Kompridis se sonorizaram como oposição a Habermas, reivindicando que ele tinha minado as aspirações à mudança social que originalmente davam propósito a vários projetos de teóricos críticos - por exemplo, o problema de que razão deve denotar, a análise e a ampliação de "condições de possibilidade" para a emancipação social e a crítica ao capitalismo moderno.
Índice
[esconder]
• 1 Origens históricas
o 1.1 O Instituto para Pesquisa Social
o 1.2 O contexto alemão pré-guerra
• 2 Principais membros
• 3 Trabalho teórico
o 3.1 Fundamentos críticos da ciência social
 3.1.1 Teoria crítica e crítica da ideologia
 3.1.2 Método dialético
 3.1.3 Influências iniciais
o 3.2 Crítica da civilização ocidental
 3.2.1 Dialética do Esclarecimento e Mínima Moralia
 3.2.2 Filosofia da música moderna
• 4 Dados biográficos
• 5 Críticos notórios da Escola de Frankfurt
• 6 Obras sobre a Escola de Frankfurt
• 7 Obras da Escola de Frankfurt
• 8 Ver também
• 9 Referências

Origens históricas
O Instituto para Pesquisa Social
Ver artigo principal: Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt
Deve ser notado que o termo "Escola de Frankfurt" surgiu informalmente para descrever os pensadores afiliados ou meramente associados com o Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt; esse não é o título de qualquer específica posição ou instituição em si, e poucos desses teóricos usaram esses termos. O Instituto para Pesquisa Social (Institut für Sozialforschung) foi fundado por Carl Grünberg em 1923, como um anexo da Universidade de Frankfurt; foi o primeiro centro de pesquisa marxista afiliado a uma universidade maior alemã.[1] Entretanto, a escola pode ter suas mais antigas raízes traçadas por Felix Weil, que podia usar o dinheiro dos negócios de seu pai para financiar o Institut.
Weil era um jovem marxista que tinha escrito a sua dissertação sobre problemas práticos de se implementar o socialismo e ela foi publicada por Karl Korsch. Com a esperança de trazer diferentes linhas marxismo para junto, Weil organizou um simpósio de uma semana (o Erste Marxistische Arbeitswoche) em 1922, que foi assistido por Georg Lukács, Karl Korsch, Karl August Wittfogel, Friedrich Pollock e outros. O evento teve tanto sucesso que Weil começou a construir uma sede e a financiar salários para um instituto permanente. Weil negociou com o Ministério da Educação para que o diretor do instituto fosse um professor do estado, para que então o instituto teria status de uma instituição universitária.
Apesar de Georg Lukács e Karl Korsch terem assistido a Arbeitswoche que teve incluído um estudo de Korsch Marxismo e Filosofia, ambos eram muito comprometidos com atividade política e também membros do Partido para que pudessem juntar-se ao instituto, mesmo que Korsch tenha participado de empreendimentos de publicações por alguns anos. O modo como Lukács foi obrigado a repudiar a sua História e Consciência de Classe (em algumas fontes chamada apenas de Consciência de Classe), publicada em 1923 e provavelmente a inspiração maior do trabalho da Escola de Frankfurt, foi um indicador para outros que a independência do Partido Comunista era necessária para um trabalho teórico genuíno.
A tradição filosófica agora referida como "Escola de Frankfurt" é talvez particularmente associada a Max Horkheimer (filósofo, sociólogo e psicólogo social), que se tornou diretor do instituto em 1930 e recrutou muitos dos mais talentosos teóricos da escola, incluindo Theodor Adorno (filósofo, sociólogo, musicólogo), Erich Fromm (psicanalista), Herbert Marcuse (filósofo) e, como membro do "círculo de fora" do instituto, Walter Benjamin (ensaista e crítico literário).[1] Entretanto, o título dessa "escola" pode ser frequentemente mal compreendido, já que os membros do instituto nem sempre formaram uma série de projetos complementares ou relacionados. Alguns estudiosos tem, portanto, limitado a sua visão da Escola de Frankfurt a Horkheimer, Adorno, Marcuse, Lowenthal e Pollock.
O contexto alemão pré-guerra
A turbulência política dos complicados anos entreguerras da Alemanha afetaram de modo importante o desenvolvimento da Escola. Os seus pensadores eram particularmente influenciados pela falha da revolução da classe trabalhadora (precisamente onde Marx havia previsto que uma revolução comunista ocorreria) e pela ascensão do nazismo em uma nação econômica e tecnologicamente avançada como a Alemanha. Isso levou muitos deles a tomar a tarefa de escolher quais partes do pensamento de Marx pudessem servir para clarificar contemporaneametne as condições sociais que o próprio Marx nunca tinha visto. Outra ingluência chave também veio da publicação de Manuscritos económico-filosóficos e A Ideologia Alemã, nos anos 1930, que mostraram que a continuidade com o hegelianismo que calcava o pensamento de Marx.
Como a influência crescente do nacional socialismo tornou-se cada vez mais ameaçadora, os fundadores do Instituto prepararam-se para movê-lo para outro país. Seguindo a ascensão de Hitler ao poder, em 1933, o Instituto deixou a Alemanha para Genebra antes de se mudar para Nova Iorque, em 1935, onde tornou-se afiliado da Universidade Columbia. O seu jornal Zeitschrift für Sozialforschung foi renomeado de acordo com o local como Studies in Philosophy and Social Science (Estudos em Filosofia e Ciência Social, em tradução livre). Foi neste momento que muitos de seus importantes trabalhos começaram a emergir, ganhando uma recepção favorável na academia inglesa e estadunidense. Horkheimer, Adorno e Pollock afinal voltaram à Alemanha Ocidental no início dos anos 1950, apesar de Marcuse, Lowenthal, Kirchheimer e outros terem escolhido permanecer nos Estados Unidos. Foi apenas em 1953 que o Instituto foi formalmente restabelecido em Frankfurt.
Principais membros
Membros originais da Escola de Frankfurt:
• Max Horkheimer
• Theodor W. Adorno
• Herbert Marcuse
• Friedrich Pollock
• Erich Fromm
• Otto Kirchheimer
• Leo Löwenthal
A "Segunda geração" de teóricos da Escola de Frankfurt incluía:
• Jürgen Habermas
• Franz Neumann
• Oskar Negt
• Alfred Schmidt
• Albrecht Wellmer
• Axel Honneth
Pessoas que foram temporariamente associadas com o Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt e teóricos da Escola de Frankfurt incluem:
• Walter Benjamin
• Siegfried Kracauer
• Karl August Wittfogel
• Alfred Sohn-Rethel
Trabalho teórico
Fundamentos críticos da ciência social
Teoria crítica e crítica da ideologia
O trabalho da Escola de Frankfurt não pode ser completamente compreendido sem igualmente entender-se as intenções e os objetivos da teoria crítica. Inicialmente delineada por Max Horkheimer no seu "Teoria Tradicional e Teoria Crítica", de 1937, a teoria crítica pode ser definida como uma auto-consciência social crítica que é o objetivada na mudança e na emancipação através do esclarecimento, e não se liga dogmaticamente aos seus próprios pressupostos doutrinais.
Horkheimer a opôs à "teoria tradicional", que se refere a teoria no modo positivista, cientificista, ou puramente observacional - isto é, do qual derivam generalizações ou "leis" sobre diferentes aspectos do mundo. Baseando-se em Max Weber, Horkheimer argumentou que as ciências sociais são diferentes das ciências naturais, visto que generalizações não podem ser feitas facilmente supostas experiências, porque o entendimento de uma experiência "social" em si é sempre moldada por ideias que estão nos pesquisadores. O que o pesquisador não percebe é que ele é capturado em um contexto histórico cujas ideologias moldam o pensamento; portanto, a teoria estaria em conformidade com as ideias na mente do pesquisador mais do que na própria experiência:
“ Os fatos que os nossos sentidos apresentam para nós são socialmente efetuados de duas maneiras: através do caráter histórico do objeto percebido e através do caráter histórico do órgão que percebe. Ambos não são simplesmente naturais; eles são moldados por atividade humana, e também pelas percepções individuais deles mesmos como receptivos e passivos no ato da percepção.

Para Horkheimer, abordagens para o entendimento nas ciências sociais não podem simplesmente imitar aquelas das ciências naturais. Apesar de várias abordagens teóricas tornarem-se próximas de romper as restrições ideológicas que as restringem, como o positivismo, pragmatismo, neo-Kantianismo e fenomenologia, Horkheimer argumentaria que elas falharam, porque todas estavam sujeitas a um prejuízo "lógico-matemático" que separava a atividade teórica da vida real (significando que todas aquelas escolas tentaram encontrar uma lógica que sempre permaneceria verdadeira, independentemente de e sem consideração pelas atividades humanas correntes). De acordo com Horkheimer, a resposta apropriada para este dilema é o desenvolvimento de uma teoria crítica.
O problema, Horkheime argumentou, é epistemológico: nós não deveríamos meramente reconsiderada o cientista, mas o conhecimento individual em geral. Diferente do marxismo ortodoxo, que meramente aplica um "padrão" não original a tanto crítica quanto ação, a teoria crítica procura ser uma autocrítica e rejeita quaisquer pretensões de uma verdade absoluta. A teoria crítica defende a primazia nem da matéria (materialismo) nem da consciência (idealismo), argumentando que ambas epistemologias distorcem a realidade para o benefício, afinal, de algum grupo pequeno. O que a teoria crítica tenta fazer é colocar ela mesma fora de estruturas filosóficas e do confinamento das estruturas existentes. Entretanto, como um modo de pensar e "recuperar" o auto-conhecimento da humanidade, a teoria críticac frequentemente se inspira no marxismo pelos seus métodos e ferramentas. Horkheimer sustentou que a teoria crítica deveria ser direcionada para a totalidade da sociedade na sua especificidade histórica (i.e. como veio a ser configurada em um específico ponto no tempo), assim como ela deveria melhorar o entendimento da sociedade integrando todas as maiores ciências sociais, incluindo a geografia, economia, história, ciência política, antropologia e psicologia. Enquanto a teoria crítica deve em todas as vezes ser autocrítica, Horkheimer insistiu que uma teoria é somente crítica se é explicativa. A teoria crítica deve portanto combinar pensamento prático e normativo para que possa "explicar o que está errado com a realidade social corrente, identificar atores para mudá-la e fornecer normas claras para o criticismo e finalidades práticas para o futuro." Visto que a teoria tradicional pode apenas refletir e explicar a realidade como presentemente é, o propósito da teoria crítica é mudá-la; nas palavras de Horkheimer, o objetivo da teoria crítica é "a emancipação dos seres humanos das circunstâncias que os escravizam".Os teóricos da Escola de Frankfurt foram explicitamente associados com a filosofia crítica de Immanuel Kant, na qual o termo crítica significou reflexão filosófica nos limites de reivindicações feitas por certos tipos de conhecimento e uma conexão direta entre crítica e a ênfase na autonomia moral - como oposta às tradicionais deterministas e estáticas teorias de ação humana. Em um contexto intelectual definido pelos dogmáticos positivismo e cientificismo em uma mão e o dogmático "socialismo científico" em outra, teóricos críticos pretenderam reabilitar as ideias de Marx através de uma abordagem filosoficamente crítica.
Já que pensadores ortodoxos marxista-leninistas e social-democratas viam Marx como um novo tipo de ciência positiva, os teóricos da Escola de Frankfurt, como Horkheimer, preferencialmente basearam o seu trabalho na base epistemológica do trabalho de Karl Marx, que apresentava ele mesmo como crítica, como em O Capital. Eles, assim, enfatizaram que Marx estava tentando criar um novo tipo de análise crítica orientada em diereção a unidade de teoria e prática revolucionária mais do que um novo tipo de ciência positiva. Crítica, no senso marxista, significa tomar a ideologia de uma sociedade - e.g. a crença na liberdade individual ou no livre mercado sob o capitalismo - e criticá-la comparando-a com a realidade social daquela mesma sociedade - e.g. desigualdade social e exploração. A metodologia na qual os teóricos da Escola de Frankfurt fundamentaram essa crítica veio a ser o que foi antes sendo estabelecido por Hegel e Marx, nomeadamente o método dialético.
Método dialético
O Instituto também tentou reformular a dialética como um método concreto. O uso de tal método dialético pode ser devido à filosofia de Hegel, quem concebeu a dialética como a tendência de uma noção para atravessar pela sua própria negação como o resultado do conflito entre os seus aspectos contraditórios inerentes.Em oposição aos modos anteriores de pensamento, os quais viam coisas em abstração, cada uma por si mesma e como pensamento dotado com propriedades fixas, a dialética hegeliana tem a habilidade de considerar ideias conforme os seus movimentos e mudança no tempo, assim como consoante suas inter-relações e interações.
História, de acordo com Hegel, prossegue e desenvolve-se de uma maneira dialética: o presente incorpora a abolição racional, ou "síntese", de contradições passadas. História pode assim ser vista como uma processo inteligível (a que Hegel referiu-se como Weltgeist) que é mover-se em direção a uma específica condição - a percepção racional de liberdade humana. Entretanto, considerações sobre o futuro não eram de interesse de Hegel, para quem a filosofia não pode ser prescritiva porque ela é entendida apenas depois do ocorrido. O estudo da história é assim limitado à descrição do passado e de realidades presentes. Por isso, para Hegel e seus sucessores, dialéticas inevitavelmente levam à aprovação do status quo - de fato, a filosofia de Hegel serviu como justificativa para a Teologia cristã e o estado Prusso.
Isto foi ferozmente criticado por Marx e pelos Jovens hegelianos, que afirmaram que Hegel havia ido muito longe em defender sua concepção abstrata de "Razão absoluta" e havia falhado em observar as "reais" - i.e.indesejáveis e irracionais - condições de vida da classe trabalhadora. Invertendo a dialética idealista de Hegel, Marx explicou a sua própria teoria de materialismo dialético, argumentando que "não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social que determina as suas consciências". A teoria de Marx seguiu uma lei de história e espaço materialistas, em que o desenvolvimento das forças produtivas são vistas como o motivo primário para deflorar uma mudança histórica, e de acordo com qual as contradições material e social inerentes ao capitalismo irão inevitavelmente levar a sua negação, desse modo substituindo o capitalismo por uma nova forma racional de sociedade: o comunismo. Marx assim contou vastamente com uma forma de análise dialética. Esse método - para saber a verdade descobrindo as contradições em ideias presentemente predominantes e, por extensão, nas relações sociais às quais elas estão ligadas - expõe a luta básica entre forças opostas. Para Marx, é apenas tornando-se consciente da dialética de tais forças opostas, em uma luta pelo poder, que os indivíduos podem se libertar e mudar a ordem social existente.
Pelo seu lado, os teóricos da Escola de Frankfurt rapidamente vieram a perceber que um método dialético poderia apenas ser adotado se pudesse ser aplicado a si mesmo - o que é dizer, supondo que eles adotassem um método auto-corretivo - um método dialético que permitir-lhes-ia corrigir falsas interpretações dialéticas anteriores. Conformemente, a teoria crítica rejeitou os dogmáticos historicismo e materialismo do marxismo ortodoxo. De fato, as tensões materiais e lutas de classes das quais Marx falou não eram mais vistas pelos teóricos da Escola de Frankfurt como tendo o mesmo potencial revolucionário dentro das sociedades ocidentais contemporâneas - uma observação que indicou que as interpretações dialéticas e as previsões de Marx estavam incompletas ou incorretas.
Contrário à práxis ortodoxa marxista, que somente procura implementar uma imutável e estrita ideia de "comunismo" na prática, teóricos críticos tomaram que a práxis e teoria, seguindo o método dialético, deveriam ser interdependentes e deveriam influenciar mutuamente uma a outra. Quando Marx expôs nas suas Teses de Feuerbach que "filósofos têm apenas interpretado o mundo de muitos modos; o ponto é mudá-lo", a sua ideia real era que a única validade da filosofia era em como ela informa a ação. Teóricos da Escola de Frankfurt corrigiriam isso afirmando que quando a ação falha, então o orientador da teoria deve ser revisto. Em suma, ao pensamento filosófico socialista tem de ser dada a habilidade de criticar a si mesmo e "subjugar" seus próprios erros.Enquanto a teoria deve participar da práxis, a práxis deve também ter uma chance de participar da teoria.
Influências iniciais
As influências intelectuais e o foco teórico dos primeiros teóricos da primeira geração da Escola de Frankfurt pode ser resumida como se segue:
Contexto histórico Transição do capitalismo empresarial de pequena escala para o capitalismo monopolista e o imperialismo; movimento socialista cresce, torna-se reformista; emergência do estado de bem-estar social; Revolução Russa e a ascensão do comunismo; período neotécnico; emergência da mídia de massa e cultura de massa, arte "moderna"; ascensão do nazismo.

Teoria weberiana
Análise histórica comparativa do racionalismo ocidental no capitalismo, no estado moderno, racionalidade secular científica, na cultura e na religião; análise das formas de dominação em geral e de dominação burocrática moderna racional-legal em particular; articulação do distintivo, método hermenêutico das ciências sociais.

Teoria freudiana
Crítica da estrutura repressora do "princípio de realidade" de avançadas civilizações e da neurose normal da vida cotidiana; descoberta do inconsciente, do processo primário do pensamento, e do impacto do complexo de Édipo e da ansiedade na vida física; análise das bases psíquicas do autoritarismo e comportamento social irracional.
Crítica ao positivismo
Crítica ao positivismo como uma filosofia, como uma metologia científica, como uma ideologia política e como conformismo cotidiano; reabilitação de dialética – negativa – retorna a Hegel; apropriação de elementos críticos da fenomenologia, historicismo, existencialismo, crítica das saus tendências não-históricas e idealistas; crítica do positivismo lógico e pragmatismo.

Modernismo estético Crítica da "falsa" e reificada experiência trazendo as suas próprias formas e linguagens tradicionais; projeção de modos alternativos de existência e experiência; liberação do inconsciente; consciência da única, moderna situação; apropriação de Kafka, Proust, Schoenberg, Breton; crítica do indústria cultural e cultura "afirmativa"; utopia estética.

Teoria marxista
Crítica da ideologia burguesa; crítica do trabalho alienado; materialismo histórico; história como luta de classes e exploração do trabalho em diferentes modos de produção; análise de sistema do capitalismo como extração do excesso de trabalho através de livre trabalho em livre mercado; unidade de teoria e prática; análise para a causa de revolução, democracia socialista, sociedade sem classes.

Teoria cultural
Crítica da cultura de massa como supressão e absorção da negação, como integração dentro para dentro do status quo; crítica da cultura ocidental como uma cultura de dominação, tanto interna quanto externamente; diferenciação dialética de emancipação e dimensões repressoras da cultura de elite; transvaloração de Nietzsche e da educação estética de Schiller.

Respondendo à intensificação da alienação e da irracionalidade em uma avançada sociedade capitalista, a teoria crítica é uma compreensiva, ideológica-crítica, um corpo historicamente auto-reflexivo visando simultaneamente a explicar a dominação e apontar as possibilidades de acarretar uma sociedade racional, humana e livre. Teóricos críticos da Escola de Frankfurt desenvolveram numerosas teses sobre estruturas de dominação econômica, política, cultural e psicológica da civilização industrial avançada.
O Instituto fez maiores contribuições em duas áreas relativas à possibilidade do sujeito humano ser racional, indivíduos que poderiam atuar racionalmente para assumir a sua própria sociedade e a sua própria história. A primeira consiste de um fenômeno social anteriormente considerado no marxismo como parte da "superestrutura" ou como ideologia: estruturas de personalidade, família e autoridade (um dos primeiros trabalhos publicados sob o título Estudos de Autoridade e de Família), e a esfera da estética e de cultura de massa. Estudiosos viram uma preocupação comum aqui na habilidade do capitalismo de destruir as precondições para consciência política crítica e revolucionária. Isso significava a chegada a uma sofisticada consciência da dimensão profunda em que a opressão social se sustenta. Isso também significa o início do reconhecimento da ideologia como parte das fundações da estrutura social por parte da teoria crítica.
Crítica da civilização ocidental
Dialética do Esclarecimento e Mínima Moralia
A segunda fase da teoria crítica da Escola de Frankfurt se centra principalmente em dois trabalhos: Dialética do Esclarecimento (1944) de Horkheimer e Adorno e Minima Moralia (1951) de Adorno. Ambos os autores trabalhariam durante o exílio do Instituto na América. Enquanto antes retinham-se muito de uma análise marxista, nesses trabalhos a teoria crítica foi a sua ênfase. A crítica do capitalismo tornou-se uma crítica da civilização ocidental como um todo. De fato, Dialética do Esclarecimento usa a Odisseia como um paradigma para a análise da consciência burguesa. Horkheimer e Adorno já apresentavam nesses trabalhos muitos temas que vieram a dominar o pensamento social do anos recentes; de fato, a sua exposição da dominação da natureza como uma característica central da racionalidade instrumental na civilização ocidental foi feita muito antes da ecologia e de a defesa do meio-ambiente tornarem-se preocupações populares.
A análise da razão agora vai para um estágio adiante. A racionalidade da civilização ocidental aparece como uma fusão da dominação e da racionalidade tecnológicas, trazendo tudo de natureza externa e interna sob o poder do sujeito humano. No processo, entretanto, o próprio sujeito é engolido e nenhuma força social análoga ao proletariado pode ser identificada como que vá habilitar o sujeito a se emancipar. Daí vem o subtítulo de Minima Moralia: "Reflexões da Vida Prejudicada". Nas palavras de Adorno,
“ Para já a esmagadora objetividade do movimento histórico na sua fase presente consiste até apenas agora na dissolução do sujeito, sem ainda dar origem a um novo, experiência individual necessariamente baseia-se no antigo sujeito, agora historicamente condenado, que é ainda para-si mesmo, mas não mais em-si mesmo. O sujeito ainda sente-se seguro da sua autonomia, mas a nulidade demonstrada aos sujeitos pelo campo de concentração já está ultrapassando a forma da subjetividade.

Consequentemente, em um tempo em que isso aparece que a realidade tem se tornardo a base para a ideologia, a maior contribuição que a teoria crítica pode fazer é explorar as contradições dialéticas do sujeito individual por um lado, e preservar a verdade de teoria no outro. Até o progresso dialético é colocado em dúvida: "a sua verdade ou inverdade não é inerente ao método próprio, mas à sua intenção no processo histórico." Essa intenção tem de ser orientada em direção a integral liberdade e felicidade: "a única filosofia que pode ser responsavelmente praticada em face ao desespero é tentar contemplar todas as coisas como elas apresentariam elas mesmas do ponto de vista da redenção". Adorno prossegue à distância do "otimismo" do marxismo ortodoxo: "ao lado da demanda, assim colocado no pensamento, a questão da realidade ou irrealidade da redenção (emancipação humana) em si preocupa severamente." De um ponto de vista sociológico, tanto os trabalhos de Horkheimer quanto os de Adorno contêm uma certa ambivalência acerca da última fonte ou fundação da dominação social, uma ambivalência que deu origem ao "pessimismo" da nova teoria crítica sobre a possibilidade da emancipação e liberdade humanas. Esta ambivalência foi enraizada, por claro, nas circunstâncias históricas nas quais o trabalho originalmente foi produzido, em particular a ascensão do Nacional Socialismo, capitalismo de estado e cultura de massa como inteiramente novas formas de dominação social que poderiam não ser adequadamente explicadas com base na tradicional sociologia marxista. Para Adorno e Horkheimer, a intervenção estatal na economia tinha efetivamente abolido a tensão no capitalismo entre as "relações de produção" e as "forças produtivas materiais da sociedade" - uma tensão que, de acordo com a tradicional teoria marxista, constituía a contradição primária dentro do capitalismo. O anterior "livre" mercado (como um mecanismo "inconsciente" para a distribuição de bens) e a "irrevogável" propriedade privada da época de Marx tinham sido gradualmente substituídos pelo estado centralizado planificado e pela propriedade socializada dos meios de produção nas sociedades ocidentais contemporâneas. A dialética através da qual Marx previu a emancipação da sociedade moderna é portanto suprimida, efetivametne sendo subjugada a uma racionalidade positivista de dominação.
Dessa segunda "fase" da Escola de Frankfurt, o filósofo e teórico crítico Nikolas Kompridis escreve o seguinte:
“ De acordo com a nova visão canônica da história, a teoria crítica da Escola de Frankfurt começou nos anos 1930 como um razoável confidente programa interdisciplinar e materialista, o objetivo Geraldo que era conectar o criticismo social normativo ao potencial emancipatório latente no processo histórico concreto. Apenas umas décadas ou mais depois, entretanto, tendo revisitado as premissas da sua filosofia ou história, a Dialética do Esclarecimento de Horkheimer e Adorno conduziu todo o empreendimento, provocativamente e auto - conscientemente, para um cético cul-de-sac. Como um resultado, eles ficaram emperrados em dilemas irresolvíveis da "filosofia do sujeito", e o programa original foi diminuído para uma prática negativista de crítica que evitava os muito normativos ideais dos quais ele implicitamente dependia.

Kompridis afirma que esse "cético cul-de-sac" chegou com "muita ajuda do uma vez inexprimível e sem precedentes fascismo europeu," e poderia não ter sido chegado sem "algum bom mercado [saída de, ou] Ausgang, mostrando o caminho fora do sempre recorrente pesadelo em que esperanças do esclarecimento e horrorres do Holocausto são fatalmente enredados." Entretanto, esse Ausgang, de acordo com Kompridis, não viria até mais tarde - supostamente na forma do trabalho de Jürgen Habermas em bases intersubjetivas da racionalidade comunicativa.
Filosofia da música moderna
Adoron, um musicista treinado, escreveu A Filosofia da Música Moderna (1949), em que ele, em essência, polemiza contra a beleza em si - porque isso havia se tornado parte da ideologia da sociedade capitalista avançada e a falsa consciência que contribui à dominação social. Isso assim contrinui para a presente sustentabilidade do capitalismo por retribuir uma "estética gentil" e "concordável". Apenas a arte e a música de vanguarda podem preservar a verdade capturando a realidade do sofrimento humano. Assim:
“ Que percepções radicais das músicas são o não transfigurado sofrimento do homem [...] O registro sismógrafo do choques traumáticos torna-se, ao mesmo tempo, lei estrutural técnica da música. Isso proíbe a continuidade e o desenvolvimento. A linguagem musical é polarizada de acordo com o seu extremo; em direção a gestos de choques a convulsões do corpo em uma mão e na outra em direção a uma cristalina paralisação do ser humano cuja ansiedade causa congelar nas suas sequências [...] A música moderna vê o absoluto oblívio como o seu objetivo. Essa é a mensagem sobrevivente do desespero do náufrago. ”
Essa visão de arte moderna como verdade produtora apenas através da negação da forma e normas estéticas tradicionais de beleza porque elas tornaram-se ideológicas é característica de Adorno e da Escola de Frankfurt em geral. Isso tem sido criticado por aqueles que não compartilham essa concepção de sociedade moderna como uma falsa totalidade que rende concepções e imagens de beleza e harmonia obsoletas tradicionais.
Dados biográficos
A Escola de Frankfurt foi fundada em 1924 por iniciativa de Félix Weil, filho de um grande negociante de grãos de trigo na Argentina. O grupo emergiu no Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt (em alemão: Institut für Sozialforschung) da Universidade de Frankfurt-am-Main na Alemanha.
Antes dessa denominação tardia (só viria a ser adotada, e com reservas, por Horkheimer na década de 1950), cogitou-se o nome Instituto para o Marxismo, mas optou-se pela denominação ideologicamente inócua de Instituto para a Pesquisa Social. Seja pelo anticomunismo reinante nos meios acadêmicos alemães nos anos 1920-1939, seja pelo fato de seus colaboradores não adotarem o espírito e a letra do pensamento de Marx e do marxismo da época, o Instituto recém-fundado preenchia uma lacuna existente na universidade alemã quanto à história do movimento trabalhista e do socialismo. Carl Grünberg, economista austríaco, foi seu primeiro diretor, de 1923 a 1930. O órgão do Instituto era a publicação chamada Arquivos Grünberg. Horkheimer, a partir de 1931, já com título acadêmico, pôde exercer a função de diretor do Instituto, que se associava à Universidade de Frankfurt. O órgão oficial dessa gestão passou a ser a Revista para a Pesquisa Social, com uma modificação importante: a hegemonia era não mais da economia, e sim da filosofia. A Teoria Crítica realiza uma incorporação do pensamento de filósofos tradicionais, colocando-os em tensão com o mundo presente.
Entre todos os elementos vinculados ao grupo de Frankfurt, salientam os nomes de Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Theodor Wiesengrund-Adorno e Max Horkheimer, aos quais se pode ligar o pensamento de Jürgen Habermas.
Os múltiplos interesses dos pensadores de Frankfurt e o fato de não constituírem uma escola no sentido tradicional do termo, mas uma postura de análise crítica e uma perspectiva aberta para todos os problemas da cultura do século XX, torna difícil a sistematização de seu pensamento. Pode-se, no entanto, salientar alguns de seus temas, chegando-se a compor um quadro de suas principais idéias. De Walter Benjamin, devem-se destacar reflexões sobre as técnicas físicas de reprodução da obra de arte, particularmente do cinema, e as conseqüências sociais e políticas resultantes; de Adorno, o conceito de indústria cultural e a função da obra de arte; de Horkheimer, os fundamentos epistemológicos da posição filosófica de todo o grupo de Frankfurt, tal como se encontram formulados em sua teoria crítica; de Marcuse, a esperança em novas formas de libertação da Razão e emancipação do ser humano através da arte e do prazer; finalmente, de Habermas, as idéias sobre a ciência e a técnica como ideologia.
Com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha, os membros do Instituto, na sua maioria judeus, migraram para Genebra, depois a Paris e finalmente, para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque. A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são os Estudos sobre Autoridade e Família, escritos em Paris, onde estes fazem um diagnóstico da estabilidade social e cultural das sociedades burguesas contemporâneas. Nestes estudos, os filósofos põem em questão a capacidade das classes trabalhadoras em levar a cabo transformações sociais importantes.
Esta desconfiança, que os afasta progressivamente do marxismo operário, se consuma na Dialética do Esclarecimento de 1947, publicado em Amsterdã onde o termo marxismo já se encontra quase ausente. Em 1949-1950 publicam os Estudos sobre o Preconceito que representa uma inovação significativa nas metodologias de pesquisa social, embora de pouca significação teórica.
Com Erich Fromm e Herbert Marcuse inicia-se uma frente de trabalho que associa a Teoria Crítica da Sociedade à psicanálise. Fromm, precursor desta frente de trabalho, logo se distancia do núcleo da Escola, e este perde o interesse pela Psicanálise até o início dos trabalhos de Marcuse.
Marcuse, que permanece nos EUA após o retorno do Instituto para a Alemanha em 1948, foi o mais significativo dos frankfurtianos, do ponto de vista das repercussões práticas de seu trabalho teórico, já que teve influência notável nas insurreições antibélicas e nas revoltas estudantis de 1968 e 1969.
Adorno continuará o trabalho iniciado na Dialética do Esclarecimento, de reformulação dialética da razão ocidental, em sua Dialética Negativa, sendo considerado ainda hoje o mais importante dos filósofos da Escola. Com a sua morte, começa o que alguns chamam de segundo período da Escola de Frankfurt, tendo como principal articulador o antes assistente de Adorno e, depois, seu crítico mais ferrenho: Jürgen Habermas.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Acerca da Sociologia do Desenvolvimento
Editado originalmente em fins de 2002, portanto há alguns erros importantes. Será revisado, ou mesmo reescrito, em momento oportuno. Por ora, resta esse texto pouco elaborado e metologicamente ruim. Há categorias de análise e termos, que o autor que aqui escreve não usaria, atualmente, sequer sob tortura.
Este trabalho pretende rapidamente estabelecer alguns posicionamentos entre duas perspectivas distintas acerca da teoria do desenvolvimento a partir das obras: Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso & Enzo Faletto e Estagnação e Subdesenvolvimento na América Latina, de Celso Furtado. Estes dois trabalhos enfocam a interpretação e operacionalização do desenvolvimento econômico e social de maneiras muito distintas. Aqui será dado, no decorrer da construção do presente excurso, a crítica “construtiva” entre esses dois arranjos interpretativos. Crítica “construtiva” na medida em que se levantará quais serão os pontos demasiadamente problemáticos e que, por isso, devem ser abandonados e as assertivas que podem, em virtude de sua perspectiva ampla e, em alguns casos, fundamentada, ser aproveitados de forma eficiente. Num primeiro momento, será enquadrada a obra de Cardoso & Faletto; num segundo, o texto de Furtado; num último momento, a síntese do que se pode aproveitar destes tão distintos posicionamentos acerca do desenvolvimento.

I. Dependência e desenvolvimento
Sendo assim, cabe dizer que o caráter de uma explicação sociológica do desenvolvimento deve ser multidimensional, isto é, deve levar em consideração todos os fatores significativos para que tal processo possa ser compreendido. Numa espécie de “análise integrada do desenvolvimento”, como pretendem Cardoso & Faletto, isto é, uma análise que tenha em perspectiva determinantes do processo social que não sejam de ordem reducionista, de tipo econômico como fazem os economistas, de acordo com os autores, ou até mesmo sociológico, este último sendo perceptível na medida em que se toma variáveis sociais e culturais como os únicos determinantes do processo de desenvolvimento – o que, ao fim e ao cabo, pode se tornar um reducionismo de tipo “culturalista”. No entanto, isso não significa dizer que a “análise integrada” perpetrada por Cardoso & Faletto seja a pior das possíveis. No que diz respeito a uma metodologia de análise, a proposta é realmente interessante, posto que releva caracteres imprescindíveis à análise do desenvolvimento. Todavia, a análise feita por estes dois autores não é suficiente de nenhum modo ao que se esperaria de tão promissora proposta, já que, se for feita uma não tão rigorosa análise do discurso destes autores, pode-se encontrar alguns problemas de grosso calibre.

1. Da dominação à interdependência: o milagre semântico de Cardoso & Faletto

Um desses problemas é salientado pela asserção, enunciada por Cardoso & Faletto, que diz existir relações de dominação entre países centrais e periféricos, na qual os primeiros são dominantes e os segundos, dominados. Mesmo existindo uma relação de dominação entre essas duas configurações distintas, é dito, mesmo assim, que o desenvolvimento para os periféricos se estabeleceria na relação de “interdependência” entre estes e os centrais (problema semântico!).
Um fato básico para o desenvolvimento de países periféricos é que as situações de dependência podem, onde há possibilidades de intervenção econômica estrangeira, perdurar no tempo, posto que os investimentos estrangeiros – necessários para a proposta acima – tendem a dominar o mercado interno. Assim, a relação de “interdependência” deixaria de existir, assumindo o matiz de uma dominação pura e simples, como no caso das economias de enclave1. Dito de outra forma, há, caso se leve essa proposta interpretativa às suas últimas conseqüências, uma contradição na proposta de Cardoso & Faletto. Esta contradição é a mesma em que um marxista revolucionário, como Zinoviev, Bukharin, Tito ou Ho Chi Minh, estaria imerso caso abandonasse a práxis marxista sem, contudo, abandonar o seu discurso teórico. O que se quer dizer aqui é que Cardoso & Faletto utilizam-se de categorias interpretativas de fundamentação marxista para, no fim das contas, dizerem exatamente o contrário do que elas tendem, de um ponto de vista lógico, a dizer.


2. A Ficção sociológica de FHC
Por outro lado, se se abandonar2 o ponto de vista interpretativo para, apenas, lidar com a operacionalização da proposta que pretende vincular o mercado interno de um país subdesenvolvido às economias desenvolvidas, será apresentado um quadro de possibilidades que não concordam com a argumentação de Cardoso & Faletto por um único motivo: todos os países que se desenvolveram e que ocupam, no período hodierno, posições de relevância no sistema econômico mundial seguiram um caminho distinto do que é proposto por estes dois autores. O caminho distinto seguido quando o processo de desenvolvimento ainda não se concluiu – e sua conclusão é dada quando o país entra no seleto grupo de “países desenvolvidos” ou tenha capacidade de “lutar”, do ponto de vista econômico, de igual para igual3 com economias desenvolvidas no mercado internacional –, o que parece ser o caso da Coréia do Sul e parte dos Tigres Asiáticos4. Pelo que se percebe, a proposta de “operacionalização” de Cardoso & Faletto é muito estranha5, posto que os países que a colocaram em prática não alcançaram um desenvolvimento digno de nota desde a publicação do livro6.

II. O realismo liberal de Celso Furtado
A proposta interpretativa de Furtado, mostra um ponto de vista rico do que se pode esperar de uma análise do desenvolvimento. Isto porque não se trata uma análise pretensamente integrada, é antes de tudo uma análise multidimensional, não obstante tenha sido elaborada por um economista; sendo rica do ponto de vista da teoria econômica e, por outro lado, abarcando uma série de fatores de ordem política e social, o que a faz consistente.
De uma perspectiva analítica, é possível pensar que esta análise poderia ser potencializada com a adoção explícita do procedimento metodológico que Cardoso & Faletto chamam de “análise integrada do desenvolvimento”, posto que possibilita a compreensão de problemas mais variados de natureza social e estritamente política, isto é, da conformação das “classes”, dos distintos grupos sociais em luta pelo controle político do Estado – o que Furtado dá conta – juntamente com a análise de características culturais – dos valores da cultura – e uma abordagem nomeadamente histórica. Tudo isso de uma perspectiva analítica, posto que a operacionalização de uma teoria do desenvolvimento deveria seguir as “regras do jogo político” obtidas pelos resultados da abordagem multidimensional possível e, de modo capenga, perpetrada por Cardoso & Faletto. Assim, No que diz respeito à implementação de uma política de desenvolvimento, tal seria muito diferente em um país como a Espanha, China e Brasil, por exemplo. No primeiro, ao que tudo indica, esta foi possível com o apoio maciço dos países mais desenvolvidos que compõem a União Européia dentro de um ambiente liberal-democrático. O segundo está organizando seu desenvolvimento por via autoritária e pelo controle direto do Estado, mesmo quando há investimentos estrangeiros, onde o Estado chinês exige contrapartidas delimitadas em âmbito interno, na forma, por exemplo, de investimentos associados, nos quais investidor interno, o Estado, detém uma parte e o externo, privado, a outra.

No caso do Brasil, atualmente e, talvez, somente atualmente, a política do desenvolvimento pode ser orientada pelos moldes que Furtado construiu. Isto é, num ambiente democrático, numa sociedade que tenha a exata medida de seus problemas e com os poderes institucionais de âmbito democrático estabelecidos e, ao que parece, consistentes. Além disso, requer um poder executivo capaz, isto é, que tenha legitimidade, seja eficiente e subordinado ao congresso; por outro lado a sociedade precisa também de suas instituições civis, o que também existe, é só se observar instituições do estrato dominante, como a Fiesp, CNI, Febraban (por nota), OAB e, por outro lado, sindicatos estabelecidos e relativamente fortes, como a Força Sindical e a CUT. Para se completar este quadro ideal típico “promissor”, há ainda um governo trabalhista recém eleito – isto é, tem, o que Furtado julga de importância fundamental, uma ideologia do desenvolvimento7.
Assim, basta implementar, o conjunto de mecanismos e instituições necessárias ao desenvolvimento: um Estado forte, democrático-burguês e economicamente controlador, racionalmente organizado; dotado de mecanismos que permitam controlar o processo de investimentos de capital, organizações descentralizadas que estudem ordenadamente os problemas estruturais da sociedade e, ao mesmo tempo, capacidade de intervir de forma precisa, localizada e, por outro lado, abrangente. Não é de todo necessário dizer que devem existir mecanismos de favorecimento e proteção ao capital nacional e, para não provocar anomalias econômicas entre o Sudeste e o Nordeste, por exemplo, que existam contrapartidas ao capital ditadas pela sociedade, encarnada no Estado, para que tanto aconteça.

III. Dois discursos acerca da Sociologia do Desenvolvimento

Pelo que se vê a “proposta” de Cardoso & Faletto, do pondo de partida metodológico, é bastante promissora, no entanto, no que diz respeito aos resultados obtidos – entendidos aqui como a proposta de operacionalização da teoria – e à concatenação dos argumentos, é demasiadamente frágil, e deve ser abandonada enquanto constructo analítico e operativo. A proposta de Furtado é mais restrita quando localizada historicamente, e, também, mais especializada, dado que tem um corpo de formulações econômicas bastante consistente – por isso pode vir a ser aperfeiçoada – e muito rigor em relação à conformação político-social dos problemas do desenvolvimento e, como ficou muito claro, é sem sombra de dúvida mais plausível que a de Cardoso & Faletto (a de Furtado, aperfeiçoada, a de FHC, derrubada). No que diz respeito à intervenção do Estado para favorecer o desenvolvimento nacional contra interesses alheios, basta observar a história, principalmente britânica e norte-americana, nas quais o Estado sempre teve participação decisiva, nunca deixando setores importantes nas mãos de investidores estrangeiros. Os Estados Unidos são exemplos disso na medida em que, para preservar o mercado interno dos produtos britânicos, tinham um mercado rigidamente fechado e entraram em guerra contra os Estados do sul para preservar sua indústria. Mais recentemente, como demonstra Furtado, ao exigir contrapartidas políticas para que suas empresas privadas investissem no Estados latino-americanos. A Grã-Bretanha demonstra a participação do Estado pela constituição do seu império no século XIX e por todo seu imperialismo.


1 Ver, a este respeito deste problema, Cardoso, F. H. & Faletto, Enzo, Dependência e Desenvolvimento na América Latina, Zahar, Rio de Janeiro, 1970, pp. 25-30 e 127 e seguintes.


2 Abandonar por conta de sua contradição interna, dado que como se pretende a ser um ensaio de interpretação sociológica e, mesmo assim, contém uma contradição deste naipe, só pode ser encarado como, de um modo mais realista – e por isso mesmo com uma significação negativa no conteúdo do termo que melhor o define – como um ensaio de “interpretação ideológica”, ou de falseamento e fragmentação da realidade como um “bom” discurso ideológico na acepção forte do termo – marxista, diga-se de passagem.


3 Excetuando, claro está, entre os possíveis iguais, os EUA.

4 A China parece estar andando a passos largos para entrar nesse grupo de países

5 Para não dizer equivocada, sem sentido, disparata ou vazia.
6 E o Brasil, no governo dos oito últimos anos, não teve nenhum crescimento – o que está acompanhado, ao mesmo tempo, de grande participação de capital externo (financiado inclusive pelo Estado brasileiro) no mercado interno, isto na gestão de F. H. Cardoso – gerando um desemprego e, por conseguinte, pobreza que pode levar à desintegração social. Não é fortuito que isso tenha acontecido na gestão de Cardoso – que é um dos autores do texto enquadrado aqui – afinal, ao que tudo indica, ele talvez ainda acredite no que escreveu.

7 A primeira versão deste texto foi escrita em dezembro de 2002. Naquele momento pensava-se que ventos de mudança política acabariam com o marasmo político que massacra o país por mais de duas décadas. Com o desenrolar dos acontecimentos dos últimos meses apreende-se, explicitamente, que não mudou muita coisa, com exceção das cores do poder, um vermelho desbotado, que sequer é rosa. A política macro-econômica agravou certas linhas de ação que anteriormente eram qualificadas como destrutivas pelo partido que subiu ao Planalto. A manutenção de uma política de austeridade fiscal, sem investimentos públicos e o aumento do superávit primário, formalmente, para patamares acima de 4% do PIB, quando na verdade está acima dos 6%, são provas de que não há mudança. A única mudança qualitativa é a de que o sufocamento da sociedade mudou, agora tem o dobro da força. O atual governo parece estar perdendo a oportunidade de realmente mudar algo em virtude de que as condições para a mudança, mostradas mais acima, estão sendo perdidas. O fato de que o governo brasileiro vem sendo elogiado pelo FMI deve ser visto como prenúncio de uma catástrofe, visto que, durante a década de 1990, a Argentina recebeu esses sinistros elogios. De La Rua e a população argentina sentiram na pele o peso desses elogios. De La Rua teve sua morte política decretada e metade da população argentina está na miséria. O Brasil não está muito longe dos seus hermanos, já tem 30% de indigentes e Lula que se cuide

QUE DEUS ABENÇOE A CADA UM QUE FEZ PARTE ESTE ANO COMIGO

Natal da Amizade
Boas Festas para Amigos
Um Santo Natal
Natal dos Amigos
Mensagem de Natal para Alunos
Feliz Natal

domingo, 20 de novembro de 2011


POEMA MENTIRA

“Coitado do mentiroso
Mente hoje, mente sempre
Ainda que fale verdade todos dizem que mente”
Mente-se por piedade
O verdadeiro mentiroso
É aquele para quem não há realidade
Imagina-a ele próprio
Inventa a sua verdade
Será doente, não admite
Pode mentir por vaidade
Será carente de afirmação
Mente por ansiedade
Vive no seu mundo que deseja profundo
Sente necessidade de esconder a verdade
Mente, mente e mente
Mente, escondendo a idade
A mentira é um polvo que envolve com a perna longa
Quando sabe reunir mais mentirosos
A mentira se prolonga
No mundo dos maldosos
Dos que a sabem tecer
Para quem vive no mundo dos manhosos
A verdade não pode acontecer
Tenta proliferar
Porém, o mundo contrário
Sempre a procura obliterar
Que fazer?
Lutar a vida inteira!
A fazer a verdade prevalecer
Para que ela seja mesmo como o azeite
Fazer com que venha à tona, possa acontecer
Depois gritar bem alto:
- A verdade está agora a acontecer e a viver!...

Daniel Costa